Soba E-Store Face Ao Estado De Emergência

Soba E-Store Face Ao Estado De Emergência
Portal de TI


P.TI:  De que forma o estado de emergência, ora decretado, afetou a vossa organização?
C.K: Na visão de Claudio Kiala, o Estado de Emergência afecta de formas negativas e positivas. Contudo, o CEO da Soba e-Store, prefere olhar mais para o lado positivo, e tentar aprender com o negativo, visto que o volume de negócios aumentou, a confiança na plataforma aumentou, a procura, o uso, o tráfego, o interesse, os bigger players, a paciência para saber como funciona, veio tudo no pacote do Estado de Emergência. No entanto, a indisponibilidade de alguns fornecedores também nos levaram a cancelar e atrasar alguns pedidos.
Existem pessoas que tentam comprar itens que não são exactamente necessidade básica, cuja aquisição por parte dos fornecedores é morosa, ou impossível, nesta fase. O volume de negócios também nos levou a ter de atrasar um bocado mais as nossas entregas.

P.TI: Qual é o leque de produtos que têm comercializado para as famílias angolanas, nesse período de quarentena e isolamento social?
C.K: Produtos de necessidade básica e cigarros são definitivamente os mais vendidos na plataforma durante este período.

P.TI: A cobertura de internet no país tem sido eficaz para o desenrolar do vosso trabalho?
C.K: Não temos tido sérios problemas quanto a isto. Temos, em facto, tido a oportunidade de ter reuniões diárias por vídeo-conferência, incluindo partilha de ecrãs, treinos, e tudo o que teríamos feito se ainda estivéssemos a trabalhar num escritório compartilhado.

P.TI: Qual é o tratamento que dão aos produtos antes destes chegarem ao consumidor final?
C.K: Os nossos parceiros fazem o trabalho de higienização antes de recolhermos os produtos. A seguir, certificamos que os entregadores têm as devidas precauções higiénicas estabelecidas para esta fase, mas que certamente irão continuar pós-corona.

P.TI: Têm alguma concorrência?
C.K: Obviamente sim. Todos os negócios que operam com vendas online e entregas dos mesmos produtos que nós são automaticamente concorrência, quer aceitemos, quer não. E todos sabemos que claramente não somos os únicos a vender online.

P.TI:  Por fazerem comércio online (diferente de outros mercados), quais são as vossas vantagens?
C.K: Algumas das vantagens incluem o facto de que a nossa conveniência é oferecida começando ao facto de que o cliente não se precisa deslocar para descobrir que o açúcar acabou. Em 90% dos casos o nosso stock está alinhado ao stock dos nossos fornecedores em tempo real, havendo sempre uma margem para erro, uma vez que não armazenamos produtos de consumo alimentar connosco. Outra vantagem é o facto de que o cliente tem acesso a milhares de produtos sem ter de andar de loja em loja - uma vez que a mobilidade voluntária e própria não é, também, um privilégio de todos, infelizmente.

P.TI:  O período de quarentena fez com que aumentasse a procura de vossos produtos e serviços?
C.K: Sim, com certeza. Tanto de clientes, como fornecedores. Temos firmado parcerias excelentes durante este período.

P.TI:  Já passaram por algum descrédito por se tratar de comércio online?
C.K: O julgamento deste tipo é muito normal para a nossa área. Qualquer empreendedor que enfrente isso com vergonha, definitivamente está a percorrer a carreira errada.

P.TI: Os compradores encontram facilidade para lidar com a vossa plataforma?
C.K: Existem vários tipos de compradores. Existem os mais conservadores, existem os que tomam riscos, existem aqueles que necessitam do produto (mais do que qualquer outra coisa que o serviço possa implicar) e existem aqueles que encaram a compra online como parte do estilo de vida. Temos tido a honra de lidar com todo o tipo de clientes. Alguns que ligam antes de fazer uma compra, e outros que fazem a primeira compra como se já fosse cliente recorrente. De uma forma geral, tem havido facilidade, e crescemos muito em termos de experiência do cliente, graças ao resto da equipa.

P.TI: Como se vai refletir a vossa responsabilidade social diante desse período de estado de emergência?
C.K: O facto de estarmos na rua a trabalhar e a nos arriscarmos numa fase tão sensível, é financeiramente conveniente, mas não é a pensar nisso como tal. Nós conseguimos manter os colaboradores em casa por mais alguns meses devidamente remunerados e não é esta a questão. É sobre uma missão, e essa missão é a de servir. É a missão a que nos propusemos desde o início, antes mesmo de imaginarmos sequer na possibilidade de uma fase como esta. A nossa responsabilidade começa ao servir, ao informar, ao contribuir na produção de máscaras de tecido e criar parcerias para ajudar a ver isto acontecer, a juntar artistas e incentivar o consumo do seu trabalho, entre outras coisas não menos relevantes.

P.TI: Banidas as deslocações interprovinciais, encontram dificuldades para atender solicitações fora de Luanda?
C.K: Como disse no início, encontramos atrasos. Temos uma forte parceria com a DHL, e juntos temos feito muito no transporte de mercadorias interprovinciais e internacionais. Mais do que por eventuais motivos capitalistas que possam implicar, temos dado prioridades em aceitar bens que realmente sejam de necessidades básicas, e temos tido muito orgulho em estarmos lá fora a jogar pelos outros e poder passar esta confiança.

P.TI:  A política de preços continua a mesma, ou sofreu alteração face ao Covid-19?
C.K: A nossa política de preços é influenciada pelos nossos fornecedores, no entanto, a SOBA apenas trabalha com fornecedores credíveis, e longe de estarem envolvidos em práticas de especulação de preços. Lutamos ao máximo para bater o pé sempre que a situação exige, e sempre que o mercado exige também, e isso já incluiu limitarmos a quantidade na aquisição de certo produto por pessoa para que o maior número de pessoas pudesse ter acesso, só para mencionar algumas políticas.
Fundada em Outubro de 2014, a Soba e-store é uma marca angolana de prestação de serviços por via  electrónica, que oferece produtos e serviços concebidos com os olhos na inovação, preservando a identidade cultural e responsabilidade social.


Voltar